Pular para o conteúdo principal

Guerra às drogas - A segurança pública não pode ser pautada apenas pela ideologia de guerra ou pelo “modelo Bukele” --- por SEGADAS VIANNA*


Guerra às drogas -  


A segurança pública não pode ser pautada apenas pela ideologia de guerra ou pelo “modelo Bukele”   --- 


Por SEGADAS VIANNA/Créditos Blog A Terra é redonda







Lucio Fontana, Concetto spaziale, 1960 



Por SEGADAS VIANNA*

A segurança pública não pode ser pautada apenas pela ideologia de guerra ou pelo “modelo Bukele”

A direita norteamericana precisava criminalizar e marginalizar ainda mais a população preta e pobre. Aproveitando-se de uma onda de violência pela chegada do crack, principalmente em Miami, declarou, nos anos 1980, nacionalmente o que chamou de ‘guerra às drogas’. Baseada em repressão de usuários e traficantes, muita violência policial e um aumento brutal no número de encarcerados esta guerra que hoje em boa parte do país está amainada por legislações mais modernas comprovou-se ineficaz.

O Brasil que tem como cultura subjacente importar modismos e culturas, principalmente do que a direita brasileira enxerga como ‘a pátria mãe’, os EUA, importa também e utiliza até hoje esta cultura da ideologia de guerra.

Esta ideologia de guerra, ensinada como doutrina nas escolas das polícias militares principalmente, pressupõe obviamente a existência de uma guerra. Havendo esta guerra como em todas as guerras há um inimigo, e o território onde este inimigo vive e atua, assim como a população que ali habita, é considerado hostil.

Nas guerras populações tidas como hostis devem ser tratadas de forma hostil e suas perdas como danos colaterais. Em territórios e junto às populações considerados hostis em uma guerra há sempre violações de direitos humanos e cometimento de barbáries, mas na cultura de guerra isto está implícito. Sintetizando, é desta forma com que nossas polícias, em especial as militares lida com situações em favelas ou comunidades de baixa renda.

Como esta forma citada acima de lidar com a segurança pública vem vitimando fatalmente a cada dia mais inocentes, especialmente a vida de crianças, a direita que sempre predomina por equívocos e omissão das esquerdas na pauta da segurança traz à discussão a chamada ‘solução Bukele’, onde[veja aqui].

Nayib Armando Bukele Ortez, presidente de El Salvador entendeu que para combater o poder das gangues criminosas, como a Mara Salvatrucha entre outras, decretou um Estado de emergência encarcerando todos os suspeitos de pertencerem às gangues levando às cadeias salvadorenhas 2% da população do pais, tornando El Salvador o país com o maior percentual de encarceramento do mundo. Na verdade além de prisões feitas sem nenhuma base legal execuções também ocorreram às centenas aparentando que a violência apenas e momentaneamente mudou de mãos tornando-se monopólio do Estado.

Mudar este conceito de guerra e dele ser enxergado como solução começa, e a transformação é a médio e longo prazo gostemos ou não, na mudança da missão constitucional das polícias militares que lhes confere e determina o direito e o dever de fazer o policiamento repressivo e ostensivo. Uma polícia que parte do pressuposto de que ela é uma polícia repressiva vai agir assim como primeira reação em qualquer circunstância.

A missão básica e constitucional das polícias militares deveria ser e primar por ser o de fazer o policiamento protetivo e ostensivo. Proteção da população deve ser o que deve ser o primeiro norte da função e da missão do policial que vi estar nas ruas e ter o contato direto com a população em situação de estresse e risco. Sem que isso mude o resto é apenas aplicarem-se novas camadas de tintas e verniz sobre uma estrutura podre e danificada.

Segadas Vianna é jornalista.


A Terra é Redonda existe graças aos nossos leitores e apoiadores.
Ajude-nos a manter esta ideia.
CONTRIBUA

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Do Campo de Batalha às Favelas: A evolução do drone como arma

  O emprego de drones comerciais como armas não nasceu na Ucrânia (experiências isoladas já ocorriam no Oriente Médio). Mas foi na Guerra Russo-Ucraniana que a tecnologia mudou de patamar: drones passaram a atuar simultaneamente no reconhecimento, na aquisição de alvos e no ataque. Equipamentos civis transformaram-se em vetores táticos de baixo custo. E o conceito rapidamente ultrapassou as trincheiras europeias: 🇨🇴  Na Colômbia:  ELN e FARC incorporaram drones com explosivos. Entre *2024 e 2025*, foram *264* ataques (*15 mortos e 153 feridos*). O impacto foi tão grande que, em 2026, Bogotá anunciou *US$ 1,68 bilhão* para ampliar sua defesa antidrones. 🇲🇽  No México:  Cartéis adotaram a tecnologia para vigilância e ataques contra rivais e forças do Estado. 🇧🇷  No Brasil:  O cenário escalou rapidamente. No Rio de Janeiro, os registros de ataques com lançamento de explosivos em disputas territoriais são apenas a ponta do iceberg. O narcotráfico nac...

A nova fronteira do poder: quando a IA deixa de ser tecnologia e vira infraestrutura

A inteligência artificial está entrando em uma nova fase. O que está em disputa já não é apenas quem desenvolve o melhor algoritmo, mas quem consegue construir a infraestrutura necessária para transformar inteligência em capacidade real de ação. Por trás de cada modelo avançado existe uma cadeia física: chips, semicondutores, capacidade computacional, data centers, redes e energia. À medida que os modelos se tornam maiores e mais sofisticados, essa *infraestrutura passa a ser tão estratégica quanto o próprio software.* A corrida pela IA começa, assim, a assumir características de uma corrida industrial. Quem controla a capacidade computacional controla a velocidade com que pode treinar, executar e escalar inteligência artificial, e *quem domina os recursos para produzir essa capacidade conquista uma vantagem que ultrapassa os limites da tecnologia.* Essa transformação também altera o que esperamos de uma IA. Até pouco tempo, a interação era essencialmente reativa: perguntávamos, o sist...

O que é a Certificação CPP/ASIS? Como ela funciona no Brasil

A Certificação CPP no Brasil: Um Padrão de Excelência em Segurança CPP significa Certified Protection Professional e é uma certificação internacionalmente reconhecida, emitida pela ASIS International, uma das principais organizações mundiais em segurança. No Brasil, essa certificação é muito valorizada por profissionais da área, pois atesta um alto nível de conhecimento e experiência em diversas áreas da segurança. O que a Certificação CPP Demonstra? Conhecimento técnico: A certificação CPP abrange uma ampla gama de tópicos, desde segurança física e eletrônica até gestão de riscos, investigação e segurança corporativa. Experiência profissional: Para obter a certificação, é necessário comprovar um número mínimo de anos de experiência na área de segurança. Compromisso com a excelência: Profissionais CPP demonstram um compromisso contínuo com o desenvolvimento profissional e com a busca por soluções inovadoras para os desafios da segurança. Benefícios da Certificação CPP Reconhe...