A inteligência artificial está entrando em uma nova fase. O que está em disputa já não é apenas quem desenvolve o melhor algoritmo, mas quem consegue construir a infraestrutura necessária para transformar inteligência em capacidade real de ação. Por trás de cada modelo avançado existe uma cadeia física: chips, semicondutores, capacidade computacional, data centers, redes e energia. À medida que os modelos se tornam maiores e mais sofisticados, essa *infraestrutura passa a ser tão estratégica quanto o próprio software.* A corrida pela IA começa, assim, a assumir características de uma corrida industrial. Quem controla a capacidade computacional controla a velocidade com que pode treinar, executar e escalar inteligência artificial, e *quem domina os recursos para produzir essa capacidade conquista uma vantagem que ultrapassa os limites da tecnologia.* Essa transformação também altera o que esperamos de uma IA. Até pouco tempo, a interação era essencialmente reativa: perguntávamos, o sist...
Você já parou para pensar que, antes de ser um conflito de discursos, ideologias ou regimes políticos, a guerra entre Rússia e Ucrânia é uma guerra contra o próprio mapa? Há uma tese central no livro Prisioneiros da Geografia, de Tim Marshall, que resume com precisão a mente estratégica do Kremlin: governos caem, ideologias mudam e a inteligência artificial revoluciona o campo de batalha, mas as montanhas, os rios e as planícies continuam no mesmo lugar. No caso da Rússia, a geografia é tanto a sua maior defesa quanto a sua pior armadilha. A Armadilha da Planície Olhe para o mapa da Europa Ocidental em direção ao leste. A oeste do território russo, desdobra-se a maior planície contínua do continente. Sem cadeias montanhosas como os Alpes para deter um exército, a segurança russa sempre dependeu do conceito de profundidade estratégica: colocar milhares de quilômetros de terra entre a sua fronteira e o centro político em Moscou para desgastar invasores antes que alcancem o coração ...