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SEGURANÇA PÚBLICA - ONU quer investigação independente da ação mortal da polícia do Rio ''A força letal deve ser usada como último recurso'', diz porta-voz da Comissão de Direitos Humanos

 

ONU quer investigação independente da ação mortal da polícia do Rio

''A força letal deve ser usada como último recurso'', diz porta-voz da Comissão de Direitos Humanos

 
07/05/2021 11:15

A polícia patrulha a favela do Jacarezinho na quinta-feira (6). Pelo menos 25 pessoas morreram em uma operação que a polícia diz ter sido dirigida a uma gangue suspeita de recrutar crianças. Fotografia: Andre Coelho / EPA

Créditos da foto: A polícia patrulha a favela do Jacarezinho na quinta-feira (6). Pelo menos 25 pessoas morreram em uma operação que a polícia diz ter sido dirigida a uma gangue suspeita de recrutar crianças. Fotografia: Andre Coelho / EPA

 

A Organização das Nações Unidas (ONU) expressou apreensão com a grande operação policial em uma favela brasileira que deixou mais de duas dezenas de mortos e pediu uma investigação independente.

Pelo menos 25 pessoas foram mortas na manhã de quinta-feira (6) quando a polícia fez uma batida no bairro de Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro, em uma operação que a polícia disse ter como alvo uma gangue suspeita de recrutar crianças e adolescentes.

“Estamos profundamente perturbados com as mortes”, disse o porta-voz do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Rupert Colville, a repórteres em Genebra, acrescentando que a operação parece ter sido a mais mortal em mais de uma década no Rio de Janeiro.

“Lembramos às autoridades brasileiras que o uso da força deve ser aplicado apenas quando estritamente necessário, e que devem sempre respeitar o princípio da legalidade, precaução, necessidade e proporcionalidade”, afirmou.

“A força letal deve ser usada como último recurso e apenas nos casos em que haja uma ameaça iminente à vida ou um ferimento grave.”

A polícia disse que a operação tinha como alvo uma gangue suspeita de recrutar crianças e adolescentes para o tráfico de drogas, roubos, agressões e assassinatos.

O bairro é considerado a base do Comando Vermelho, a maior gangue do tráfico do Rio.

Colville disse que o escritório de direitos humanos da ONU recebeu relatos “preocupantes” de que a polícia não tomou medidas para preservar as evidências da cena do crime, “o que poderia dificultar as investigações sobre o trágico resultado desta operação letal”.

“Solicitamos ao gabinete do promotor que conduza uma investigação independente, completa e imparcial do caso, de acordo com os padrões internacionais.”

Colville também destacou a necessidade de “uma discussão ampla e inclusiva no Brasil sobre o atual modelo de policiamento nas favelas, que estão presas em um ciclo vicioso de violência letal com um impacto dramático e adverso sobre as populações que já lutam”.

*Publicado originalmente em The Guardian | Traduzido por César Locatelli

Créditos Carta Maior

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