Pular para o conteúdo principal

INTERVENÇÃO NA SEGURANÇA PÚBLICA DO RIO DE JANEIRO DEVE CONTINUAR!




(Angela Costa, presidente da Associação Comercial RJ - Folha de S.Paulo, 15) 1. O agravamento e colapso na segurança pública no estado do Rio de Janeiro atingiu proporções inaceitáveis nos últimos tempos. A constatação de uma escalada desenfreada da violência urbana, a incapacidade dos órgãos de segurança pública (OSP) estaduais, um número enorme de policiais sendo mortos por criminosos e a seríssima crise moral e ética.

2. Esses foram os motivos que levaram o governo a recorrer de forma mais enfática a uma ajuda da União. Desse modo, o presidente Michel Temer, em 16 de fevereiro, decretou a intervenção para "pôr termo ao grave comprometimento à ordem pública" e restabelecer a segurança à população, que não podia mais conviver com esse clima de total desordem.

3. Uma vez decretada a intervenção, o governo federal se volta às Forças Armadas brasileiras e nomeia um oficial de alto comando para que assuma o controle das forças de segurança pública do estado. O general de Exército Walter Braga Netto, então comandante militar do Leste, é nomeado interventor federal do Rio de Janeiro e, tendo sob seu comando tropas especializadas, realiza levantamentos de inteligência e ações estratégicas para integração dos OSPs e da administração pública federal. Tudo isso para otimizar os recursos materiais e de pessoal no combate ao crime organizado.

4. A gravidade da situação parece tornar o período até aqui insuficiente, uma vez que foi necessário vencer entraves jurídicos para dar legalidade e sustentabilidade às ações operacionais da tropa. Era preciso também ter tempo necessário para vencer os trâmites burocráticos na aquisição de equipamentos de investigação criminal, veículos blindados, armamentos e munição para os OSPs.

5. A mudança, então, foi no modelo de gestão da segurança pública. Nesse ponto do processo, é necessário entender a complexidade dessa grande estrutura para compreender o potencial pleno das mudanças à frente. É como tentar resolver uma complicada equação matemática para a qual ainda não há todos os números colocados.

6. Ainda vejo que é preciso reduzir os índices de crimes como homicídios, delitos contra o patrimônio, roubos de carga, de rua e de veículos e autos de resistência. É essencial que a população tenha liberdade de ir e vir sem medo, nosso povo merece essa tranquilidade que há tempos parece um sonho intangível. Por isso, acreditamos que ainda haja muito a ser feito.

7. Na agenda positiva elaborada pela Associação Comercial do Rio de Janeiro para os candidatos a presidente e a governador do Rio, apontamos como prioridade a manutenção da intervenção até que se possa colher mais frutos desta iniciativa. 

8. Porém, cabe ressaltar que a intervenção tem seus efeitos colaterais, pois impede, por exemplo, a tramitação de propostas de emenda à Constituição (PECs).

9. É preciso, portanto, muita cautela na hora de avaliar esse período, que não deve ser julgado pelo legado imediato, mas, sim, por resultados de médio e longo prazos, que ainda estão por vir.

10. Certamente, ninguém tem o plano perfeito, mas confiamos que as medidas aplicadas pela intervenção poderão vir a nortear modelos de atuação e gestão para a segurança em todo o Brasil.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Guerra Híbrida: o combate ao PCC e ao CV virou questão de Segurança Nacional dos EUA

​ A autorização de Donald Trump para ações cibernéticas contra o crime organizado é um * salto conceitual* : Washington deixou de tratar as grandes facções brasileiras como "caso de polícia" e passou a tratá-las como * ameaças à segurança nacional .* Com o memorando assinado na quarta-feira (12/08/2026), o governo americano liberou o uso de ferramentas digitais ofensivas (incluindo o uso de  contractors  privados) para interromper, degradar ou destruir a infraestrutura virtual de facções como PCC e Comando Vermelho. Isso consolida uma escalada iniciada em maio, quando ambos foram designados como organizações terroristas estrangeiras. 📊 * O tamanho do ecossistema:* Estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o crime organizado movimentou  R$ 146 bilhões  no Brasil em produtos ilegais (dados de 2022). Não é mais apenas tráfico; é uma multinacional de logística, criptomoedas e empresas de fachada. 🔄 *A Mudança Incorreta de Paradigma* ❌ * Abordagem Pol...

Do Campo de Batalha às Favelas: A evolução do drone como arma

  O emprego de drones comerciais como armas não nasceu na Ucrânia (experiências isoladas já ocorriam no Oriente Médio). Mas foi na Guerra Russo-Ucraniana que a tecnologia mudou de patamar: drones passaram a atuar simultaneamente no reconhecimento, na aquisição de alvos e no ataque. Equipamentos civis transformaram-se em vetores táticos de baixo custo. E o conceito rapidamente ultrapassou as trincheiras europeias: 🇨🇴  Na Colômbia:  ELN e FARC incorporaram drones com explosivos. Entre *2024 e 2025*, foram *264* ataques (*15 mortos e 153 feridos*). O impacto foi tão grande que, em 2026, Bogotá anunciou *US$ 1,68 bilhão* para ampliar sua defesa antidrones. 🇲🇽  No México:  Cartéis adotaram a tecnologia para vigilância e ataques contra rivais e forças do Estado. 🇧🇷  No Brasil:  O cenário escalou rapidamente. No Rio de Janeiro, os registros de ataques com lançamento de explosivos em disputas territoriais são apenas a ponta do iceberg. O narcotráfico nac...

O próximo impacto sobre o agronegócio não vem do clima. Vem da geopolítica

  O Brasil é uma superpotência agrícola, mas carrega um calcanhar de Aquiles estrutural: importamos * 92% * dos fertilizantes que consumimos. Hoje, a torneira que alimenta o nosso campo está no centro das duas regiões mais tensas do planeta. O risco não é "faltar" produto, mas o preço destruir a margem de quem produz. E a conta já chegou: Nos primeiros quatro meses de 2026, o Brasil importou só * 8,4% * a mais em volume, mas pagou * 22,2% a mais*  em dólares. O cenário global acendeu o alerta vermelho: 🇷🇺 * Eixo Rússia/Belarus*:  Seguem controlando cerca de * 40%*  das exportações globais de potássio (MOP). Qualquer sanção ou bloqueio atinge o Brasil em cheio. 🇮🇷 * O Gargalo de Ormuz*:  O estreito movimenta até * 30%*  do comércio mundial. Com as recentes tensões com o Irã, o tráfego travou e até * 3 milhões de toneladas/mês*  deixaram de circular. O resultado? Preços globais * 35% mais altos*  (Jan-Mai/26) e um tombo de * 64%*  nas impor...